Travou ao abaixar para pegar alguma coisa. Dói ao levantar da cadeira. A dor desce pela nádega e pela perna, e ninguém achou o motivo.
Os músculos que costumam estar por trás
Quadrado lombar
Onde a coluna encontra a bacia, na parte baixa da nádega e na lateral do quadril, logo acima do osso que se sente na lateral da coxa.
Glúteo mínimo
Na nádega, descendo pela parte de trás da coxa e chegando à panturrilha. É o desenho que mais se confunde com dor ciática.
O desenho da dor segue a topografia do atlas de Travell e Simons.
Por que o exame veio normal, ou veio cheio de achados
O ponto gatilho não aparece no raio X, na tomografia nem na ressonância. Por isso a dor lombar de origem muscular costuma chegar com uma pilha de exames que não explicam nada.
O contrário também acontece. Desgaste de disco, abaulamento e protrusão são comuns em pessoas que não sentem dor nenhuma, e ficam mais comuns com a idade. Um achado no exame nem sempre é a causa da dor de hoje, e quem decide isso é o exame físico, com a história de cada pessoa.
O quadrado lombar, o músculo do "travei"
Ele fica embaixo dos músculos que correm ao lado da coluna, entre a última costela e o osso da bacia. Funciona como um freio quando o tronco inclina para o lado.
A história típica é a de quem abaixou para pegar alguma coisa e, ao levantar, ficou travado. A dor pode ir para a lateral do quadril e para a nádega, e se confunde com bursite.
O glúteo que parece ciático
O glúteo mínimo fica por baixo do glúteo médio. Quando tem ponto gatilho, a dor desce pela parte de trás ou pela lateral da perna, num desenho muito parecido com o da dor do nervo ciático.
O que separa os dois é o exame: na dor de origem muscular, o teste que estica o nervo costuma ser normal, a força e o movimento do quadril mudam, e apertar o músculo reproduz a dor que a pessoa conhece.
O que os estudos mostram
Sinais de desgaste do disco aparecem na ressonância de muita gente que não sente dor nenhuma: em pessoas sem dor, a degeneração de disco passou de 37% aos 20 anos para 96% aos 80.
Mostra que o achado é comum sem dor. Não mostra que ele nunca dói.
Em dor lombar com ponto gatilho, o agulhamento seco reduziu a dor logo após o tratamento, com evidência moderada, e o resultado foi melhor quando ele se somou a outras terapias.
Na função e no seguimento mais longo, os autores dizem que ainda não está claro.
A revisão que serviu de base para a diretriz da Organização Mundial da Saúde sobre dor lombar crônica achou algum benefício das técnicas com agulha na dor e na função, com evidência de certeza baixa.
Junta acupuntura e agulhamento seco, e a certeza é baixa ou muito baixa.