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Plexus Tratamento de dor miofascial

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Dor lombar que não aparece no exame: quando a origem é o músculo

O ponto gatilho, o nó que se forma dentro do músculo, não aparece no raio X, na tomografia nem na ressonância. Por isso a dor lombar de origem muscular costuma vir com exames normais, ou com achados de desgaste que também existem em quem não sente dor. O diagnóstico é feito no exame físico.

Ilustração em estilo de atlas da coluna lombar vista de costas, com as vértebras em tom apagado e, de um lado, o músculo quadrado lombar em terracota com um pequeno nó de fibras.

Por que a dor lombar de origem muscular não aparece no exame?

Porque o problema não é estrutural. Dentro do músculo, um grupo de fibras fica contraído e não solta, como um nó numa corda. Esse nó tem nome, ponto gatilho, e é um problema de funcionamento do músculo, não de forma. A ressonância mostra osso, disco, nervo e o volume do músculo, mas não mostra um feixe que perdeu a capacidade de relaxar.

É por isso que tanta gente com dor nas costas tem uma pasta cheia de exames e nenhuma explicação. O exame não errou. Ele só não foi feito para enxergar isso.

E quando o exame mostra desgaste, a dor vem dele?

Nem sempre. Uma revisão de estudos com ressonância e tomografia em mais de três mil pessoas sem dor mostrou que a degeneração do disco aparece em 37% das pessoas aos 20 anos e em 96% aos 80. Abaulamento e protrusão seguem o mesmo caminho. Boa parte desses achados faz parte do envelhecimento normal da coluna.

Isso não quer dizer que o disco nunca doa. Quer dizer que o achado da imagem, sozinho, não prova que ele é a causa da dor de hoje. Muita gente tem as duas coisas ao mesmo tempo: um disco gasto, que não está doendo, e um músculo com ponto gatilho, que está.

Como é a dor lombar que vem do músculo?

A história costuma ter pistas:

  • a pessoa já tomou vários remédios e a dor não foi embora
  • já fez vários exames e ninguém soube dizer o que era
  • não consegue dizer bem o que melhora ou piora
  • descreve uma dor “esquisita”, que repuxa, difícil de pôr em palavras
  • aponta uma área de bordas mal definidas, e não um trajeto exato.

Um dos músculos mais envolvidos é o quadrado lombar, que fica embaixo dos músculos que correm ao lado da coluna, entre a última costela e o osso da bacia. Ele funciona como um freio quando o tronco inclina para o lado. A queixa clássica é a de quem abaixou para pegar alguma coisa e, ao levantar, ficou travado.

Como o médico encontra o ponto gatilho?

Com três coisas, e nenhuma delas é um aparelho:

  1. O movimento. Inclinar o tronco para um lado e para o outro mostra se um lado repuxa mais.
  2. A força. O músculo com ponto gatilho costuma estar mais fraco que o do outro lado.
  3. A palpação. O dedo procura, atravessado às fibras, uma faixa mais dura que o resto. Quando aperta o ponto certo, a pessoa reconhece: “essa é a minha dor”.

Quando o movimento está limitado, a força está menor e a palpação reproduz a dor, o diagnóstico está feito.

E o tratamento?

O tratamento tem três partes: soltar o ponto gatilho, alongar o músculo e mexer no que mantém a dor, como a cadeira, a postura no trabalho e o tempo parado na mesma posição. Uma das formas de soltar o ponto gatilho é o agulhamento seco, com agulha fina de acupuntura e sem medicamento.

Em dor lombar com ponto gatilho, uma meta-análise de 11 ensaios mostrou que o agulhamento seco reduziu a dor logo após o tratamento, com evidência moderada, e que o resultado foi melhor quando ele se somou a outras terapias. Para a função e para o efeito mais longo, os autores dizem que ainda não está claro. Cada organismo responde de um jeito, e o número de sessões depende de cada caso.

Antes de pensar em músculo, alguns sinais pedem outra investigação: história de câncer, febre, perda de peso sem explicação, perda de força, dormência que avança ou dificuldade para urinar ou evacuar. Nesses casos, o caminho é outro.

Perguntas

Se o exame veio normal, a dor é psicológica?

Não. Exame normal quer dizer que a imagem não mostrou uma causa. O ponto gatilho é real, se encontra com as mãos e reproduz a dor que a pessoa conhece, mas não aparece no exame de imagem.

A ressonância mostrou hérnia de disco. Então a dor é da hérnia?

Pode ser, e pode não ser. Abaulamento e protrusão de disco são comuns em pessoas sem dor nenhuma. Quem separa uma coisa da outra é o exame físico: o desenho da dor, os testes de nervo e a palpação dos músculos.

Que músculos costumam dar dor lombar?

Os que correm ao lado da coluna, o quadrado lombar, os glúteos médio e mínimo, o iliopsoas e o piriforme, entre outros. Cada um tem o seu desenho de dor.

O estudo citado

Revisão sistemática, 3.110 pessoas sem dor2015

Sinais de desgaste do disco aparecem na ressonância de muita gente que não sente dor nenhuma: em pessoas sem dor, a degeneração de disco passou de 37% aos 20 anos para 96% aos 80.

Mostra que o achado é comum sem dor. Não mostra que ele nunca dói.

Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations

Brinjikji e colaboradores, AJNR American Journal of Neuroradiology, 2015

PubMed 25430861

Meta-análise, 11 ensaios, 802 pacientes2018

Em dor lombar com ponto gatilho, o agulhamento seco reduziu a dor logo após o tratamento, com evidência moderada, e o resultado foi melhor quando ele se somou a outras terapias.

Na função e no seguimento mais longo, os autores dizem que ainda não está claro.

Evidence for Dry Needling in the Management of Myofascial Trigger Points Associated With Low Back Pain: A Systematic Review and Meta-Analysis

Liu e colaboradores, Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, 2018

PubMed 28690077

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Texto revisado por Dr. Renato Ribeiro Susin, MÉDICO · CRM-SC 22635 · RQE 20473 (Medicina de Família e Comunidade).

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